Sindicalismo Cidadão, Ético e Inovador
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As lições da falta d’água

11 de novembro de 2014

Acredito que tudo na vida tem o lado positivo e o negativo. E por mais que seja clichê, é nas dificuldades que tiramos os maiores aprendizados.

Essa grande seca, que atinge a região noroeste do estado de São Paulo e partes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, e Goiás, está sendo terrível para a economia, para a geração de energia, para as famílias que ficam sem água, para o transporte fluvial, para pescadores. Enfim, a seca está prejudicando a população e o País como um todo.

Mas ela também tem seu lado educativo. O brasileiro, exceto os nordestinos que viveram por décadas vítimas da indústria da seca, sempre conviveu com água em abundância. Grandes rios cortam nossas cidades, cerca de 12% da água doce superficial do planeta corre em nossos rios. Ainda possuímos o Aquífero Guarani, a maior reserva de água doce e potável do mundo. Por isso não aprendemos a economizar.

Para nós, a água sempre foi barata, farta e, em nosso imaginário, inesgotável. Por isso, nunca aprendemos a tratá-la como um bem precioso e, principalmente, finito. Esbanjamos litros e litros em calçadas, carros e quintais. Deixamos a mangueira aberta enquanto batemos um papinho com a vizinha. A torneira fica aberta enquanto escovamos os dentes e ainda fazemos a barba durante o banho.

Mas agora veio a lição: água termina sim! Rios secam!

E a população, mais ainda que os governos, precisou aprender bem rápido como economizar água, usando apenas o necessário e guardando para as épocas de seca.

Aprendemos que nossos mananciais são muito mais frágeis do que imaginávamos, e percebemos que nossos governantes também não estão preparados para enfrentar a seca.   Ações obvias, como a descontaminação dos rios que cortam a capital, agora se tornam emergenciais. A Sabesp anunciou um plano de tratamento de esgoto em larga escala com utilização de tecnologias caras e sofisticadas.  Melhor seria evitar que esses rios, que poderiam muito bem nos abastecer, tivessem sido conservados limpos.

Ainda há tempo, mas é preciso parar de jogar dejetos, produtos químicos e toda sorte de porcaria nas águas.

E economizar, economizar e economizar.

Queria um debate saudável. Temos esse, estou satisfeito!

16 de outubro de 2014

Me assustei no sábado, dia 4 de Outubro, véspera do primeiro turno das eleições, quando uma moça me perguntou: “Mas não é só para presidente que a gente vota? ”

Como que essa moça, um dia antes das eleições podia estar tão desinformada? Será que ela não recebeu nenhum santinho, não viu nem uma placa nas ruas, não assistiu nem um pedacinho de horário político?

O desconhecimento e a falta de interesse pela política faz muito mal ao cidadão e ao País como um todo. Não tem como não fazer de conta que não é com você. Mesmo que o voto não fosse obrigatório no Brasil, e uma pessoa escolhesse não ir às urnas, o resultado das eleições influenciaria na sua vida de qualquer maneira.

Por isso considero favorável o intenso debate político que começou no segundo turno presidencial. As redes sociais fervilham, os debates na TV batem recordes de audiência, as rodinhas nas ruas falam sobre as eleições.

É claro que as vezes se exagera. Não se pode perder um amigo, mesmo que seja um amigo só do Facebook, porque ele não comunga com sua posição política.

O debate precisa ser saudável, na troca de ideias, de opiniões. Mas acho que mesmo quando se passa do limite, é melhor do que a alienação e o desinteresse.

A democracia brasileira é jovem, ainda está se fortalecendo, se estruturando. E essa troca de ideias, esse envolvimento da população com os assuntos da política fazem parte do processo de amadurecimento.

Trabalhou no feriado? Confira seu holerite

3 de outubro de 2014

Todo comerciário que trabalhar aos domingos e feriados precisa ficar bastante atento se seus direitos estão sendo integralmente pagos. Não podemos aceitar que as empresas passem por cima das convenções coletivas e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras do comércio.

Portanto, confira seu holerite e se certifique que tenha recebido tudo o que a empresa precisa conceder e, na dúvida, consulte o Sindicato. As informações estão no site, no portal do departamento jurídico ou podem ser obtidas pessoalmente, pelo telefone e pelas mídias sociais.

E se realmente a empresa não pagou tudo o que a lei e o que as nossas convenções determinam, faça uma denúncia junto ao Sindicato. Você não precisa se identificar, mas tem o dever de exigir seus direitos.

Comerciários que trabalham em feriados devem ficar de olho nos seus direitos

A Lei 11.603 de 2007 estabelece o funcionamento do comércio nos feriados, visando atender a demanda da população e aumentar o consumo.

Mas, apesar de ser liberado, o trabalho nos feriados é facultativo. Sendo assim, trabalhar nessas datas será algo acordado entre patrão e trabalhador, mas é o empregado quem deve tomar a decisão de ir ou não e informar por escrito, previamente, ao patrão.

Sendo da vontade do comerciário trabalhar no feriado, ele deverá, então, ficar atento aos seus direitos, de acordo com a Convenção Coletiva. Caso a empresa descumpra qualquer norma, terá de pagar multa ao trabalhador, que deve procurar o Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

Uma questão muito importante a ser ressaltada é que os direitos estão garantidos independentemente da data em que caia o feriado. Ou seja, não importa se o feriado é numa quarta-feira ou num domingo. A diferença é que, se o feriado cair num domingo, valem os benefícios por ser feriado, e não por ser domingo – já que aqueles são maiores.

Outro fator de destaque é considerar que há dois feriados em que não é permitido – em hipótese alguma, nem sob acordo – trabalhar. São eles: o Natal, no dia 25 de dezembro, e a Confraternização Universal, no dia 1º de janeiro.

Os benefícios garantidos aos comerciários que trabalharem em feriados são pagamentos de horas extras com adicional de 100% sobre as horas trabalhadas; folga compensatória (podendo variar de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho); vale-transporte e vale-refeição (também de acordo com a Convenção). Os empregados com salário fixo devem receber em dobro as horas trabalhadas, somado a elas o Descanso Semanal Remunerado (DSR). Já o comissionista puro deverá receber o cálculo correspondente ao valor de mais um DSR. As horas trabalhadas no feriado não podem ser colocadas em banco de horas.

Veja os feriados de 2014 em São Paulo. Caso você tenha trabalhado ou venha a trabalhar nesses dias, exija seus direitos. Lembre-se: se a data cair no domingo, prevalecem os benefícios do feriado.

 01/01 – Confraternização Universal

25/01 – Aniversário de São Paulo

18/04 – Paixão de Cristo

21/04 – Tiradentes

01/05 – Dia do Trabalho

19/06 – Corpus Christi

09/07 – Revolução Constitucionalista 1932

07/09 – Independência do Brasil

12/10 – Nossa Sra. Aparecida

02/11 – Finados

15/11 – Proclamação da República

20/11 – Dia da Consciência Negra

25/12 – Natal

 Para mais informações, consulte sua Convenção Coletiva de Trabalho pelo site www.comerciarios.org.br

O desencanto de quem sonha ensinar

3 de setembro de 2014

Quando um jovem escolhe qual carreira profissional vai seguir, leva muitas coisas em consideração: aptidão e talentos, influência familiar, retorno financeiro, status… mas principalmente seus sonhos e aspirações.

Acredito que quem escolhe se tornar professor não visa retorno financeiro nem tampouco status. O que move um jovem professor é o ideal, os sonhos, a vontade de influenciar a vida de crianças e jovens.

E realmente muitos acreditam nisso ao entrar nas faculdades de licenciatura espalhadas por todo o País. Porém a decepção chega logo, o desinteresse aumenta e muitos desistem da profissão.

A dura realidade da sala de aula, as extensas jornadas de trabalho e os baixos salários, somados à desvalorização da profissão, fazem com que esses profissionais busquem outras áreas de atuação.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, a USP, coordenada pelo professor José Marcelino de Rezendo Pinto, mostra que se todos aqueles que se formaram nos cursos de licenciatura nos últimos 20 anos, continuassem no magistério, não faltariam professores no Brasil.

Mas não é isso que acontece, apenas em Língua Portuguesa há um déficit de 131 mil professores em todo o País.

A solução para isso é simples, mas não é fácil: dinheiro. Melhorar salário e formação dos professores, modernizar as escolas, dinamizar o ensino. Só assim o Brasil vai poder realmente afirmar que está dando um passo em direção aos maiores.

A depressão e o Assédio Moral

14 de agosto de 2014

O dia 11 de Agosto foi marcado por uma tragédia para o cinema mundial. Robin Williams, um dos maiores atores de Hollywood cometeu o suicídio motivado por uma forte depressão.

O astro de “Popeye”, “Sociedade dos Poetas Mortos” “Tempo de Despertar”, “Bom Dia, Vietnã”, “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, “Amor Além da Vida” e muitos outros filmes incríveis, lutava seu contra uma depressão severa. Ele já havia sido internado várias vezes em clínicas de reabilitação, por problemas com drogas, sendo a última vez em julho passado.

Infelizmente, Williams perdeu a batalha para a doença. Muitos outros artistas também: Walmor Chagas, Leila Lopes, Ariclê Peres, Fausto Fanti, Chorão e muitos outros.

Mas não são só os artistas que sofrem com esse mal. Atualmente a depressão está entre as quatro causas mais frequentes de afastamento do trabalho, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apenas em 2013 a doença foi responsável por 61.044 afastamentos.

Mas e o que causa a depressão entre os trabalhadores? A resposta pode estar no excesso de cobrança, ritmo de trabalho intenso, exigências cada vez mais severas quanto à qualificação e medo do desemprego.

Mas não se pode esquecer do assédio moral, que infelizmente vem crescendo nas empresas e fazendo vítimas de perseguição e constrangimentos dentro do próprio ambiente de trabalho.

O assédio moral além de ilegal, degradante e causa muita dor. Trata-se de expor trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. É mais comum nas relações hierárquicas autoritárias, ou seja, chefes em relação a subordinados.

A “vítima” escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos colegas, que, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados ficam em silêncio ou compactuam com o agressor.

Com isso, o trabalhador vai perdendo sua autoestima e sua saúde. O Ministério do Trabalho, responsável pela fiscalização, diz que o número de denúncias está aumentando.

A Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite. Nos quadros de depressão, a tristeza não dá tréguas, mesmo que não haja uma causa aparente. O humor permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias e dias seguidos, e desaparece o interesse pelas atividades, que antes davam satisfação e prazer.

É importante é encarar a depressão como qualquer outra doença e não como preguiça ou coisa de “gente louca”. A família e os amigos são muito importantes na recuperação da pessoa com depressão porque eles são um ponto de referência para certos padrões, como alimentação equilibrada, higiene pessoal e interação social. Além disso, na maioria dos casos, a pessoa com depressão tem dificuldade em aceitar a doença e procurar ajuda.

E se você está sentindo os sintomas e acha que pode estar sofrendo assédio moral no trabalho, busque ajuda e denuncie. As denúncias podem ser feitas no sindicato da sua categoria, nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), no Ministério do Trabalho e Emprego (Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego – Comissão de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Combate à Discriminação), no Ministério Público do Trabalho ou ainda Justiça do Trabalho.

 

 

 

Discriminação até na doença

11 de agosto de 2014

De tempos em tempos a humanidade é acometida por enfermidades que dizimam milhares de pessoas.

No século XIV, principalmente pela falta de conhecimento sobre a importância da higiene, a peste bubônica, também chamada de peste negra, matou 1/3 da população europeia, algo entre 25 e 75 milhões de pessoas.

Já no século XX, com os meios de transportes mais avançados, a gripe espanhola se tornou uma pandemia, ou seja, se espalhou por vários continentes, atingindo milhões de pessoas. A espanhola fez vítimas na Europa, na América do Norte e até mesmo no Brasil, onde matou 300 mil pacientes, inclusive o presidente da República, Rodrigues Alves.

E eu posso citar outras: Aids, poliomielite, gripe viária, gripe suína e nesse momento, o Ebola.

Porém a epidemia do Ebola possui uma característica muito perversa. Enquanto outras doenças são pesquisadas, para a criação de remédios e tratamentos que, se não curam, melhoraram a qualidade de vida do infectado, a infestação de Ebola nunca recebeu muita atenção. Há 40 anos esse vírus mata africanos, mas a medicina mal sabe como conter o avanço da doença.

Porque nenhum laboratório se interessou em pesquisar esse vírus? Há décadas ele está aí e nenhum país desenvolvido buscou a sua cura. Por que só agora o mundo está se preocupando com o Ebola? Provavelmente porque agora, que estamos presenciando o maior surto da doença, médicos e missionários americanos e europeus estão sendo infectados e podem levar a doença até seus países de origem.

A lógica do lucro impede que uma doença que atinge majoritariamente populações pobres, ou seja, sem condições de comprar remédios, receba verbas de pesquisa. É uma discriminação que não é baseada na cor da pele, mas no poder econômico.

Os dois americanos infectados na Libéria e transferidos aos Estados Unidos estão sendo tratados com uma droga experimental e vêm apresentando melhoras, porém os africanos, que já contabilizam mil pessoas mortas pela doença, não tiveram acesso à ela.

Segundo a OMS não é “ético, viável ou sensato” utilizar as drogas que cuja eficácia e segurança não foram adequadamente testadas. É uma desculpa esfarrapada baseada em um tecnicismo. Em que uma doença que causa mortes horríveis em 90% dos pacientes pode ser pior que uma droga experimental? Deixar essas pessoas sem tratamento algum, isso sim não é ético.

Os africanos possuem crenças e desconfianças que tornam os tratamentos mais difíceis. Isso é de sua cultura e deve ser respeitado. Por isso a OMS deve discutir com governo e população locais se esse tratamento pode ser feito. Se Guiné, Libéria e Serra Leoa concordarem com as drogas experimentais, porque não?

 

Arte ou concreto?

8 de agosto de 2014

Uma cidade jamais pode abrir mão de sua cultura. Muito menos São Paulo, que é um polo de produção multicultural, possui uma gastronomia fantástica e é berço de movimentos culturais importantes como o teatro de arena e o cinema da boca do lixo. Dizem até que o Rock brasileiro nasceu aqui, mais precisamente na Pompeia.

Porém estamos indo na direção contrária. Nossa cena cultural efervescente está sendo engolindo pelo concreto. Assim como nas décadas de 1980 e 1990, quando os cinemas de rua desapareceram, muitos centros culturais estão correndo o risco de fechar.

Com os cinemas foi assim, os exibidores passaram a optar por salas menores, com manutenção mais barata e os espectadores começaram a frequentar os cinemas de shoppings, com estacionamento, segurança e outras facilidades.

Os antigos cinemas ocupavam prédios enormes, com capacidade para centenas de pessoas. Quando eles perderam viabilidade financeira, a especulação imobiliária não perdeu tempo deu um jeito de ocupar esses espaços com igrejas evangélicas, estacionamentos ou bingos. Muitos foram sumariamente demolidos para dar lugar a novas construções.

Como a região central da cidade possui boa infraestrutura e pouco espaço vago disponível, os terrenos são muito valorizados. E as construtoras e incorporadoras estão investindo contra espaços culturais populares.

Segundo a Cooperativa Paulista de Teatro, 11 casas de espetáculos de São Paulo estão ameaçadas pelo mesmo motivo, a especulação imobiliária. Uma delas é o Instituto Brincante, na Vila Madalena, criado há 21 anos pelo artista e pesquisador pernambucano Antônio Nóbrega.

Posso citar outros espaços que correm o risco de fechar, como o CIT-Ecum, na rua da Consolação e o Espaço Os Fofos Encenam, na Bela Vista.

São esses espaços que tornam a cidade mais atraente, mais pulsante e até mais democrática. Grandes casas de teatro, com seus preços nada populares, afastam a maior parte da população, além de não abrir espaço para pequenas companhias de teatro, nem para jovens artistas.

Por isso São Paulo deve cuidar desses espaços, buscar o equilíbrio entre o direito à propriedade e as atividades culturais e não se tornar apenas a cidade do concreto, sem atração e sem alma.

 

Não estamos vivendo estagflação

22 de julho de 2014

Reconheço que a situação econômica do Brasil não está das melhoras. A inflação está no teto de meta e o crescimento está abaixo do esperado. Mesmo a geração de empregos, que era um dado ainda positiva, vem apresentado sinais de cansaço.

Sempre fui contra a política do banco Central de alta de Juros. Na minha opinião juros altos só favorecem banqueiros e quem vive de especulação. E, mesmo sendo crítico da política econômica adotada pelo Governo, não concordo com alguns economistas que afirmam que o Brasil está vivendo a estagflação.

O termo estagflação foi criado durante a década de 1970 após o choque do petróleo, quando a inflação, em alguns países, chegou a 10% ao ano. Esse cenário se caracteriza por inflação com mais de 2 dígitos (IPCA mostra que Brasil tem 6,52% de inflação acumulado em 12 meses) e grande desemprego, situações que não vivemos no Brasil.

Sem dúvida alguma, precisamos aumentar a produção, recuperar nossa indústria e diversificar os investimentos, mas não é com esse tipo de alarmismo e sensacionalismo que isso é feito.

Contradições no campo

18 de julho de 2014

O Campo abriga uma das maiores contradições da realidade brasileira. De um lado, o agronegócio é o setor mais competitivo da economia brasileira e o principal sustentáculo do nosso comercio exterior. De outro lado, essa agricultura de ponta convive com o atraso nas relações trabalhistas, com perdas nos direitos sociais e previdenciários, além de manter em nível muito baixo os salários dos trabalhadores.

Com base nos dados do IBGE (em pesquisa de 2013, que é a mais atualizada até hoje), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) calculou que há no Brasil mais de 2 milhões de trabalhadores na informalidade, apenas conseguindo sobreviver. Só no Nordeste, existe um milhão nessa situação.

Ou seja, temos um campo extremamente moderno em termos científicos, tecnológicos, de qualidade, produtividade e competitividade, enquanto o mundo real dos trabalhadores está longe de usufruir das conquistas do mundo moderno.

Ainda segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, 78,5% dos trabalhadores assalariados rurais informais têm rendimento médio mensal de até um salário mínimo (R$622,22 à época da pesquisa), sendo que quase metade desse total, 33,9%, recebe menos de um salário.

Sem amparo legal, os trabalhadores em situação informal não têm direitos trabalhistas e previdenciários como aposentadoria, auxílio-doença, pensão por morte, férias, descanso semanal remunerado, 13º salário, licença –maternidade e paternidade, aviso-prévio, fundo de garantia do tempo de serviço e seguro-desemprego.

A informalidade também aumenta o risco de o trabalhador ser exposto a situações de trabalho escravo. O que se deve fazer para que a modernização produtiva do agronegócio signifique também o respeito aos direitos trabalhistas e previdenciários?

Uma das respostas está no fortalecimento da organização sindical dos trabalhadores e o aumento da fiscalização por parte dos órgãos públicos. É importante que os sindicatos não meçam esforços na luta pela universalização dos direitos trabalhistas no campo brasileiro.

Os BRICS e os BRICS Sindical

15 de julho de 2014

Um grupo que concentra 21% do PIB mundial, 42% da população mundial, 45% da força de trabalho e o maior poder de consumo do mundo. Esses são os BRICS: agrupamento econômico atualmente composto por cinco países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A expressão BRICS foi utilizada, pela primeira vez, pelo economista Jim O´Neil para designar os países emergentes com potencial econômico para superar as grandes potências mundiais em um período de, no máximo, cinquenta anos.

Sabedores de sua força econômica e política, a partir de 2006, os países do BRICS decidiram realizar ações econômicas coletivas e manter uma maior comunicação entre eles.

A IV Cúpula dos BRICS está acontecendo em Fortaleza, no Ceará, (dias 14,15 e 16 de Julho). Na pauta do encontro está a criação de um banco de desenvolvimento, com sede em Xangai, com funções similares às de outras instituições internacionais nas quais estes países não se sentem bem representados, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial.

Esse Banco irá financiar projetos de desenvolvimento sustentável nos países que formar os BRICS.

Durante a cúpula também vai acontecer a criação do BRICS Sindical, representados pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) e outras centrais sindicais brasileiras. O objetivo do BRICS Sindical é o fortalecimento da classe trabalhadora além de monitorar como as questões do trabalho e do mundo sindical serão tratadas nos países envolvidos, principalmente nas questões referentes ao trabalho decente.